segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Comboio: Parte 2...

Infelizmente a viagem de regresso já não foi tão engraçada :/

Ora, vocês estão a visualizar aqueles comboios indianos cheios de gente?? Se não, aqui fica uma imagem ilustrativa...
Ok, não estava assim tão mal mas mesmo assim...
Por falta de experiência (e total estupidez, diga-se) não comprámos com a devida antecedência os bilhetes e ficámos sujeitos, nada mais nada menos, à classe "General"...
Basicamente, a classe "General" é a mais barata e não tem limite de ocupação (finalmente percebi porque é que os comboios enchem tanto... eles vendem bilhetes ilimitadamente!) portanto vamos todos encostadinhos uns aos outros com bagagem pelo meio!
Há ainda a classe "Sleeper", A/C e non-A/C, bastante mais cara e, como o nome indica, com direito a uma espécie de cama dura como tudo! O que muita gente da classe "General" faz é ir para as outras carruagens e dividir a cama com outra pessoa... o que faz com que certas camas tenham 2 pessoas (mais bagagem) ou haja pessoas a dormir nos corredores, passagens entre carruagens, etc!

Foi exactamente isto que fizemos e portanto passei 5 horas de viagem sentado na borda da cama de um qualquer indiano (eles não se importam que as pessoas se sentem nas bordas, o que faz com que cada cama tenha praticamente uma pessoa lá sentada que prefere ir assim do que ir na "General"...)

Foi a pior viagem de sempre, sempre acompanhado pelas baratas que iam passeando no chão, pelo calor humano e por uma dor de costas que passou os limites...

This is India! Cheers!


P.S. quando cheguei ao apartamento este estava fechado por dentro... e eu a pensar que não podia ser pior aquele dia! Resultado: tive que ir para o apartamento de cima quando desisti de bater à porta.

Comboio: Parte 1...

Na sexta-feira fiz a viagem de comboio desde Udupi (a cidade mais próxima de Manipal) até Goa: espectacular!!

Tinham-nos dito que a viagem era líndíssima pelo que fizemos questão de a fazer de dia e valeu mesmo a pena porque o comboio vai alternando entre o interior verdejante e a costa tropical, com direito a paisagens únicas!

Por outro lado, o comboio é muito mais confortável (e rápido) que os trambalhões dos autocarros pelo que compensou inteiramente!

P.S.: Assim que tiver as fotos de Goa irei fazer um post sobre Goa em si!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Hampi

No último fim-de-semana visitei a cidade de Hampi, a umas 12h de autocarro de Manipal.
A cidade em si não tem nada de especial e é até pior, em muitos aspectos, que outras cidades indianas mas as redondezas são espantosas!!! Falo das ruínas da antiga cidade do séc. XVI, Vijayanagara, capital do Império com o mesmo nome. Absolutamente espantosas, com inúmeros templos e excelentes vistas que se perdem no horizonte.
Faz pensar o que seria se o Império Vijayanagara não tivesse sido invadido pelos sultanatos há séculos atrás e ainda pudéssemos presenciar todas aquelas maravilhas!
Ficam as fotos:
Este fim-de-semana --> Goa!!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Visita Emblemática

Segunda tive o "privilégio" de visitar um dos locais que toda a gente pretende evitar aqui na Índia: o hospital!!
É verdade, tudo isto porque tive a feliz ideia de ter um acidente de mota durante a minha visita a Hampi, no Sábado.
Passsados uns dias já estou melhor: já consigo escrever adequadamente num computador e voltar a fazer o meu trabalho. Tenho ainda umas feridas na mão e cotovelo direitos e tenho a perna ligada do tornozelo até acima do joelho mas, segundo o médico, vou tirar isto amanhã.
Mas o que eu queria mesmo era descrever a situação:
Estando à rasca da perna, ao ponto de mal andar, fui de autorickshaw (uma espécie de motinhas com acentos atrás) para o hospital e o bom do condutor deixou-me logo na entrada errada. Tenho que andar, ou coxear, ou arrastar-me, até alguém que falasse inglês e me indicasse a zona dos "traumas".
Chegando lá mostro as feridas e eles mandam-me deitar numa cama onde fico alguns 15 minutos até alguém vir. Normal, em Portugal suponho que até se espere mais...
Finalmente vêm e dizem que afinal preciso de fazer um cartão do hospital (o qual se paga, pois claro) e lá me arrasto outra vez até um balcão não sei onde.
Volto a deitar-me na cama e sou visto, nada mais nada menos, por três médicos... O primeiro vem e manda desinfectar a ferida (que foi, de facto, desinfectada mas não por um enfermeiro pois tenho a certeza que o homem devia ser mecânico ou qualquer coisa assim tal era a brutalidade) e manda fazer raio-x. O segundo médico vem e queria desinfectar outra vez... e acabou por ordenar os raios-x... Outra vez!! E eu, solícito, começo a levantar-me para ir fazer os raios-x e mandam-me sentar outra vez porque... ainda tinha que vir mais um médico dizer o mesmo que os outros, surpresa das surpresas.
Entretanto não podia fazer os raios-x porque tinha que os pagar, e eu dizia que os pagava e eles diziam que os meus amigos é que tinham que pagar. (ora, nenhum dos meus amigos tava lá portanto eles deviam tar a ver amigos meus imaginários)
Finalmente, e passado meia-hora (em que eu já tinha adormecido) levam-me para o corredor à porta da sala de raio-x onde tive que esperar outra meia-hora que uma funcionária do hospital fosse pagar os ditos. Durante esse tempo já pensava que a senhora se tinha ido embora com o dinheiro e me tinha deixado ali a sofrer. Enquanto esperava via imensos funcionários simplesmente a passear e a não fazerem absolutamente nada que não fosse conversar... Deduzi que talvez fosse por isso que tudo demora séculos na Índia (eles têm algumas 6 pessoas a trabalhar onde na Europa está uma, e mesmo assim são mais lentos)!! Ah mentira, a mulher da limpeza estava a trabalhar e insistia em varrer o pó para cima da minha ferida aberta! Tenho que lhe dar a devida consideração por estar a trabalhar, desculpem.
Felizmente a senhora que foi pagar voltou e deu-me o recibo para a mão e passados 20minutos finalmente consegui fazer os raios-x!!!!
(Importa dizer que eu tinha a certeza que não tinha nada partido mas pelo sim pelo não... é importante confirmar e deixar o paciente a sofrer durante mais de uma hora)
Os médicos (só dois desta vez) lá me disseram que não tinha nada partido mas que agora precisava de ligar a ferida (ou seja, pagar o material). Desta vez dou o dinheiro a dois jovens funcionários que ficaram logo todo contentes quando lhes pus uma nota nas mãos e pensei "estes nunca mais os vejo". Eu digo funcionários porque eles tinham farda do hospital mas não faço ideia do que é que eles fazem, provavelmente nada... como tantos outros que por lá andavam encostados às paredes.
Eles voltam e o médico lá me liga a ferida do joelho... mas desde o tornozelo quase à cintura! Eu a ver aquilo só pensava que era um grande exagero mas ele insistiu. Ah, antes disso uma enfermeira chega-se ao pé de mim e espeta-me uma agulha de vacina contra o tétano... Eu bem tentei dizer que já tinha levado uma 2 semanas antes mas não adiantou porque ela não percebe inglês... Nesta altura já pensava que só podia estar a morrer naquele sítio e mais valia ter ficado em casa! 
Ligam-me a perna e eu só queria "correr" dali para fora e estava a preparar-me para sair quando volto a ser mandado sentar porque tinha que, adivinhem, pagar os cuidados que eles tiveram comigo! E eu que tava tão agradecido pelos "cuidados" que eles tiveram!
Foi um alívio sair dali finalmente passadas quase 4horas mas amanhã lá terei que voltar para tirar esta ligadura gigante! Medo!
Moral da história: não façam nada que vos faça visitar um hospital na Índia, nomeadamente cair duma mota!!
P.S.: o acidente foi no Sábado e só fui Segunda ao hospital porque disseram-me que o hospital de Hampi era muito mau... agora penso que se o hospital de Manipal é o "bom" como seria se tivesse ido ao outro?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Trabalho... e outras coisas

Oh man... Aqui trabalha-se tanto! Os indianos têm aulas de Segunda a Sábado, várias horas por dia, e ainda por cima estão em exames, que duram 3 dias (2 exames por dia). Sentem-se capazes de vir para cá estudar?
O meu trabalho também é 2ª a Sábado mas... Não há grande respeito por ele, na verdade. Não tenho local de trabalho portanto, desde que faça o que me é pedido, posso fazer os horários que eu quiser! O que significa, basicamente, que vou passear nas redondezas e posso tirar o fim-de-semana para visitar as cidades "próximas"! Digo "próximas" porque tenho que fazer 12h de viagem para a próxima cidade que vou visitar, Hampi, antiga glória de um dos impérios indianos, agora em ruinas.
Dou-vos um exemplo, ontem, num extenuante dia de trabalho, passei o dia aqui:
Quanto ao trabalho, propriamente dito, consiste em "desenhar" um fermentador usando a ferramenta Graphic User Interface (GUI) do Matlab, com a qual eu não sei trabalhar. Portanto, estou a fazer o impensável: ler todos os ficheiros de ajuda do Matlab para ver se me safo até à data de entrega, na próxima semana.
Ah, por aqui não é permitido usar Messenger (para os que perguntaram), nem ir a alguns sites desportivos, e há horas para chegar à residência (23h para as raparigas séniores, 0:00 para os rapazes séniores). Nada que não se resolva com uma nota dada ao guarda: ah pois! É que, segundo o que um indiano revoltado me explicava no outro dia, só vai para polícia quem quer enriquecer depressa... e não se enriquece rapidamente à custa de trabalho honesto.
Até à próxima semana!
  

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Primeiras Impressões

Olá!


O meu 1º post vem 6 dias depois de ter partido de Lisboa porque foi realmente complicado assentar e arranjar uma conexão (rasca, por sinal) à internet.

Ora, passando ao que interessa:
As viagens correram todas bem, sem sobressaltos, e direitinho ao destino! O problema foram mesmo as longas horas de espera nos aeroportos... Fiquei 9h em Heathrow, seis das quais aqui a penar:

Imaginem-se 6h a olhar para o boneco ali! Valeu-me o livrinho que levei e valeu tambem uma grade dor de costas de estar mal sentado, à espera.





Mais umas horas em Bombaim (a propósito fica do qual fica uma imagem dos veículos transportadores de bagagem... tractores!)

E finalmente lá peguei o avião para Mangalore. Depois foram só mais 2h para fazer os 50km que separam Mangalore de Manipal.

Bem, por falar nisso, as estradas aqui são inacreditáveis!! Estão cheias de buracos (quando são estradas de terra) e quando são alcatroadas mais parecem "buracos com algum alacatrão"!
Isto para não falar no tráfico aqui pela Índia: os indianos têm que ser os melhores condutores de sempre porque parece-me que mais ninguém conseguiria conduzir assim e passar incólume! Eu não duraria 30min, de certeza. Estão sempre a buzinar o que, tenho que confessar, é bastante irritante (mesmo para um português que está relativamente habituado a ouvir uma buzinadela; nem imagino o que isto faz ao finlandês que cá anda que diz que na Finlândia eles simplesmente não usam a buzina... coitados). Em certas cidades, mesmo pequenas como Mysore (1milhão de habs.), que visitei ete fim-de-semana, já há alguns semáforos mais isso não nos dá garantia alguma que eles param no vermelho. O melhor mesmo é orar e passar a rua, tendo como certo que eles não abrandam (muito menos páram)quado há peões à frente. Mais tarde tentari pôr um vídeo do tráfico indiano.










Portanto cheguei Manipal por volta das 17h, altura em que conheci os primeiros estrangeiros que também cá estão a estagiar (antes disso já tinha conhecido dois indianos muito simpáticos que me levaram ao meu apartamento perto do fim do mundo, mas cujos nomes não me atrevo a tentar escrever). Divido o apartamento com mais 5 pessoas, para três quartos, o que é bastante aceitável. Estou com um rapaz sírio, os dois alemães estão juntos e um rapaz inglês divide o quarto com o japonês. Já conheci bastante mais pessoas: austríacos, belgas, espanhóis, um brasileiro (o que até permite embora ele, por vezes, não me perceba... tudo resolvido com o Acordo Ortográfico suponnho... e algo mais!) e indianos claro! Manipal tem 35mil hab., 15mil dos quais são estudantes segundo o que ouvi. Voltando ao apartamento, só uma referência às casas-de-banho que eu pensava que eram completamente horrorosas até me contarem que estas eram das melhores que eu ia encontrar, pelo que fiquei caladainho e não pensar nisso. Ainda por cima eles tendem a não ter papel higiénico nos WC e como nunca vi um indiano com um rolo na mão nem quero pensar... nisso que vocês estão a pensar.

Manipal é um cidade bastante pequena que tem, pelos vistos, a universidade mais cara da Índia pelo que isto não corresponde à Índia "real". Os alunos falam inglês (embora esquisito), são simpáticos e não andam atrás de ninguém, incessantemente, a tentar vender uma buiganga qualquer... o que é óptimo porque no outro dia andei quilómetroooooos com um homem à perna. De tal forma que um pessoa às tantas, de tão irritada, acaba por comprar... eu fui mais teimoso que ele, coitado. Na verdade, não há nada que se possa dzier que os afaste a não ser tentar ignorá-los e mesmo isso leva tempo!

O post já vai longo potanto termino a falar da minha viagem a Mysore, logo no primeiro fim-de-semana que cá estive:

Oito horas de viagem, à noite, para visitar uma cidade que tem de bonito o palácio grandioso (do qual não tenho fotos do interior pois não era permitido, infelizmente)










e que fica iluminado à noite:












Nesse Sábado foi o Dia da Indepêndencia portanto ainda tivémos "direito" a assistir a uma parada com elefantes. Visitei ainda ainda o templo a Shiva, no interior do palácio, e o mercado, Old Bazaar, que é enorme e está cheio de cores:


Bjos/Abraços a todos,

Tiago